Vivo neste
túmulo mofado que me sufoca e ao mesmo tempo me dá o ar infestado de flores
secas que já perderam as pétalas.
As vezes
componho letras de musicas, as vezes invento poesias, as vezes ando sem direção...
Tem dias que
leio livros e as vezes ouço música, outros dias eu arranho um desenho com
sangue...
Cada dia é uma tortura suportável, ironicamente agradável que destrói aos poucos tudo que fazia algum sentido, mesmo que vago.
Agora tudo
vem rotulado, e o que sobra é o cansaço...
Tudo que já
poderia ter sido feito já foi, e nada encanta da forma que deveria...
A noite é
bela, é insana! Insana e bela...
Me encontro
cercado pela solidão, nesta noite tempestuosa, ainda que o sol brilhe, ou que
um relâmpago me permita vislumbrar os vultos que me cercam...
E em algum
lugar nessa noite uma criança chora, uma mulher pranteia-se e alguém morre...
Em algum
lugar à noite, a humanidade se esconde... Dia a dia, se esconde!
Em algum
lugar nessa noite uma alma grita, enquanto as pessoas perdem-se em sonhos sem
sentido... E gritam em seu silêncio.
Em algum lugar
na noite, a solidão habita, pessoas morrem e não há sinos a tocar.
Em algum lugar na noite, todos estão há procurar... Onde está a luz?
Mesmo que o
sol brilhe... continuam a procurar...
Somos sombras
a poucos passos da morte... E continuamos a caminhar...
Mato-me um
pouco a cada noite... A cada dia que amanhece estou mais morto que no dia
anterior...
Não sei se
gosto da morte, ora me é tão bela, ora me amedronta... Estarei vivo?
Normalmente
não me importo com a resposta...
Acordo todos
os dias e as vezes abomino a luz como um vampiro...
Mas quero
continuar acordando...
A noite é
bela, é insana! Insana e bela...
Insana...
Bela...
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