sábado, 23 de junho de 2018

Pitágoras



Pitágoras foi um dos vultos mais elevados deste ciclo de civilização.
Nasceu na ilha de Samos, na Jônia (Grécia), no ano 585 a.C. Quando ainda criança, foi levado para residir no Líbano, onde um sacerdote disse à sua mãe: “Ó, mulher jônica, teu filho será grande pela sabedoria; os gregos já possuem a ciência dos deuses, mas a ciência de Deus só se encontra no Egito”. Sua mãe, então, decidiu mandar o jovem Pitágoras para o Egito, a fim de obter a sua Iniciação. Portador de uma carta de apresentação endereçada ao Faraó Amásis II (570 a.C.-526 a.C.), Pitágoras chegou ao Egito e foi pelo próprio faraó recomendado aos Sacerdotes de Mênfis, os quais o aceitaram com reservas. Em Mênfis, o jovem iniciando submeteu-se com inquebrantável vontade às provas iniciáticas. Sua Iniciação completa durou vinte e dois anos. Foi após esse longo tempo de preparação que ele teve uma visão sintética da essência da vida e das formas, compreendendo a involução do espírito na matéria (a queda), mediante a creação universal e a sua evolução (ascensão) rumo à unidade pela creação pessoal. Este processo denomina-se desenvolvimento da percepção. Ainda estava Pitágoras no Egito quando Cambises II (†522 a.C.) o invadiu, levando os dirigentes como escravos. Pitágoras acompanhou os escravos para a Babilônia, onde foi iniciado nos conhecimentos deixados por Zoroastro.
            Os sacerdotes egípcios possuíam altos conhecimentos das ciências sagradas, mas eram os magos persas os que tinham os maiores desenvolvimentos nas práticas mágicas, na manipulação das leis ocultas da natureza. Dizia-se que eram capazes de dominar as potências ocultas da natureza, as quais denominavam de fogo pantomorfo ou luz astral. Há registros afirmando que nos templos persas as lâmpadas se ascendiam espontaneamente e sem causa aparente. Afirma-se também que naqueles templos deuses brilhavam com luzes desconhecidas, surgiam raios e trovões. Os magos persas denominavam leão celeste, ou fogo incorpóreo, o gerador daqueles raios. Detinham muitos conhecimentos e dominavam, inclusive, vários fenômenos elétricos. Também mantinham controle sobre fenômenos atmosféricos. Para tanto, despertavam correntes elétricas na atmosfera e manipulavam o magnetismo. Ressalte-se que estes fenômenos eram desconhecidos da população daquela época. Enfim, os Sacerdotes da Babilônia tinham acesso a elevados conhecimentos do poder sugestivo, atrativo e creativo da palavra humana.
            Na Babilônia, Pitágoras penetrou nos arcanos da antiga magia persa. A religião da Pérsia, embora já totalmente degenerada naquela época, ainda possuía, contudo, alguns sinceros adeptos. Havia um restrito grupo de Iniciados unidos e defensores de uma autêntica ciência oculta. Defendiam a sua fé e também a Justiça e, secretamente, enfrentavam os déspotas, frequentemente fascinando-os, de modo a dominar o poder dos governantes. Depois da Iniciação egípcia e caldaica, Pitágoras, ainda jovem, já sabia mais que todos os seus mestres e do que qualquer grego de seu tempo. Durante todos aqueles anos, tomou ciência de fartos conhecimentos secretos, tornando-se conhecedor da verdadeira natureza da Humanidade e de grande parte da sua verdadeira história, de tudo aquilo que a Conjura do Silêncio tentava, a todo custo, ocultar. Sabia sobre religiões, continentes e raças totalmente desaparecidas. Com o seu enorme conhecimento, teve condições de fazer estudo comparado de todas as religiões, tanto ocidentais quanto orientais. Estava cônscio da atuação do Terceiro Interesse e do Obscurantismo aplicado pela Conjura, a qual havia imposto sua pesada mão e jugo aos egípcios e, posteriormente, à própria Babilônia e à Pérsia (onde Pitágoras esteve por doze anos). Prevendo que o passo seguinte seria a queda da Europa, Pitágoras se antecedeu e voltou à Grécia, de onde havia passado mais de trinta anos ausente. Ao retornar à Grécia, teve a alegria de ainda encontrar o seu Primeiro Grande Mestre, Ferecides, assim com a sua mãe. Sabedor que o próximo passo do domínio da Conjura seria a Grécia, tomou a decisão de partir para um lugar onde pudesse fundar uma escola iniciática para legar à Humanidade muitos conhecimentos, entre os quais matemáticos. Juntamente com a sua mãe, fixou residência em Crotona, no golfo de Tarento, na Itália meridional. Pretendia fundar um centro de estudos, não apenas para ensinar a doutrina esotérica a um grupo de discípulos rigorosamente escolhidos, mas também para aplicar seus princípios à educação, à mocidade e ao quotidiano do Estado. Pretendia igualmente fundar uma instituição com a intenção de transformar paulatinamente a organização política das cidades e estados. É compreensível que bastaria isso para acirrar ódios e perseguições.
            Notável matemático, Pitágoras legou importantes conhecimentos à Humanidade. Ao mesmo tempo, foi também um proeminente místico. Estabeleceu um sistema político, além de um movimento religioso e educativo, o qual foi considerado por alguns como “aristocrático e ditatorial”. Assim como Platão (428 a.C.-347 a.C.), Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) também foi discípulo da Escola Pitagórica. Aliás, o que Platão escreveu em A República teve como base os ensinamentos da Escola Pitagórica. Por defender o princípio da autoridade, Pitágoras seria atualmente considerado como “ditador”, como “opressor”, mas, na realidade, nada disso condiz como seus reais propósitos. De fato, defendia acirradamente o princípio da autoridade, mas não poderia ser diferente. Fora iniciado em Escolas Iniciáticas, em que havia rígida obediência hierárquica. Vivera sob regimes títeres e escravagistas. O sistema iniciático era muito rígido, como uma forma de defesa contra a mão impiedosa da Conjura. Também devemos ter em conta que as escolas iniciáticas do antigo Egito descendiam da civilização atlante, onde o poder era controlado com rigor pela Religião e pela Ciência. O sentido de ordem e respeito estabelecido por Pitágoras, propugnador de um estado hierárquico, fez com que muitos o perseguissem. Se, por um lado, possuía uma plêiade de seguidores e de admiradores, também ocorria o inverso, como decorrência de Crotona ser uma cidade já degenerada por vícios, com forte tendência à voluptuosidade, como acontecia na vizinha Síbaris, considerada uma das mais devassas cidades daquela época.
Pitágoras suscitou uma verdadeira revolução nos costumes. Procedia mais como um “mágico” do que como um filósofo. Reunia os rapazes no Templo e, a partir de sua eloquência, conseguia afastá-los do quotidiano debochado de então, fazia com que abandonassem até mesmo as suas vestes luxuosas. A beleza da sua fisionomia, a nobreza da sua pessoa e o encanto dos seus traços e da sua voz concorriam para o fascínio que exercia sobre as pessoas, de modo que as mulheres o comparavam a “Júpiter” e os rapazes a “Apolo”. O Senado de Crotona (o Conselho dos Mil) começou a preocupar-se com o progressivo e notório prestígio de Pitágoras, motivo pelo qual foi intimado a dar explicações sobre a sua conduta. Foi nesta fase que fundou um instituto para atender aos seus discípulos. Uma confraria de Iniciados, onde havia um exigente sistema iniciático. Dizia Pitágoras: “Não é qualquer madeira que serve para fazer-se mercúrio”. No Instituto Pitagórico, dava-se também grande importância ao lado físico, de modo que era cultivada a prática de ginásticas e exercícios diversos. Ali, os que tentavam a Iniciação necessitavam, num primeiro momento, submeter-se a provas sérias, muitas vezes sarcásticas. Passavam até mesmo por humilhações, cujo objetivo era evidenciar o verdadeiro desejo de saber e a sinceridade do iniciando. Isso gerou inimigos entre os noviços fracassados. Um deles, Cilon, amotinou posteriormente o povo contra os pitagóricos, levando a cabo o incêndio e o saque do Instituto. Durante o ataque, os principais dirigentes morreram e dizem que o próprio Pitágoras. As controvérsias existentes em torno dos ensinamentos pitagóricos, sobre suas ideias e ensinamentos motivaram ódio tanto por parte do povo quanto dos governantes. Incitados por Cilon, destruíram o Instituto, mas, como não se mata facilmente uma ideia, os ensinamentos perduraram por mais de dez séculos e existem até os dias atuais.
            Com o intuito de serem evitadas perseguições às pessoas, durante séculos os ensinamentos pitagóricos eram transmitidos através de sociedades secretas, entre as quais a célebre Ordem Pitagórica, que subsiste até hoje, funcionando de forma oculta, com caráter rígido de seleção e mantendo um sistema iniciático bem rigoroso. É uma dessas Ordens secretas em que não se chega diretamente, mas apenas por indicação de outras Ordens preliminares. Por outro lado, existiram e existem ainda algumas organizações que se intitulam de “pitagóricas” por estudarem a doutrina, mas que, na realidade, não são autênticas. Algumas estudam com sinceridade e honestidade os princípios pitagóricos, mesmo que não mantenham vínculos diretos com a Ordem original. Porém, por outro lado, também existem aquelas que apenas “usurpam o nome”, nada sabem, nada ensinam de autêntico e, mais perigoso ainda, deturpam os ensinamentos, motivadas amiúde por intenções espúrias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se a vontade!

O Cristão e a política se misturam?

Política pode ter dois significados. Um deles é a arte de negociação para alinhar os interesses; o outro significado, que nos interess...